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02 fevereiro 2011

"Com ela aprendeu Florentino Ariza o que já padecera muitas vezes sem saber: pode-se estar apaixonado por várias pessoas ao mesmo tempo, por todas com a mesma dor, sem trair nenhuma. Solitário entre a multidão do cais, dissera a si mesmo com um toque de raiva: “O coração tem mais quartos que uma pensão de putas.”"

O Amor Nos Tempos do Cólera.

01 fevereiro 2011

"Mas aquela tarde perguntou a si mesmo com sua infinita capacidade de ilusão se uma indiferença tão encarniçada não seria um subterfúgio para dissimular um tormento de amor."

Florentino Ariza questionando os motivos que geram os caprichos amorosos de Fermina Daza.

19 julho 2009

"E teve que mudar de rua para que não vissem as lágrimas que não podia mais reprimir, porque estas não eram desta noite, eram outras: as que trazia atravessada na garganta há cinqüenta e um anos, nove meses e quatro dias."

Gabriel García Márquez, em O Amor nos Tempos do Cólera.

09 fevereiro 2009

"Ferminza Daza estava na cozinha provando a sopa para o jantar, quando ouviu o grito de horror de Digna Prado e o alvoroço da criadagem da casa e depois da vizinhança. Atirou a colher de pau e tratou de correr como pôde com o peso invencível da idade, gritando feito uma louca sem saber ainda o que acontecia debaixo da copa da mangueira e o coração lhe estourou em estilhaços quando viu seu homem estirado de costas no lodo, já morto em vida mas resistindo ainda um último minuto à chicotada final da cauda da morte para que ela sua mulher tivesse tempo de chegar. Chegou a reconhecê-la no tumulto através das lágrimas da dor que jamais se repetiria de morrer sem ela, e a olhou pela última vez para todo o sempre com os mais luminosos, mais tristes e mais agradecidos olhos que ela jamais vira no rosto dele em meio século de vida em comum, e ainda conseguiu dizer-lhe com o último alento:

- Só Deus sabe o quanto amei você."

Gabriel García Márquez, em O Amor nos Tempos do Cólera.

19 dezembro 2008

"Quando saiu do escritório do telégrafo, Hildebranda estava à beira das lágrimas:

- É feio e triste - disse a Fermina Daza - mas é todo amor."

Gabriel García Márquez, em O Amor nos Tempos do Cólera.