"É com uma doce benção que a tua carta me acolhe
Eu sabia que a distância não podia matar o nosso amor.
De entre tudo o que é belo, tu vens ao meu encontro,
Tu, minha brisa de Primavera, minha chuva de Verão,
Tu, minha noite de Junho que me leva através de mil caminhos
Que nunca ninguém ainda havia pisado:
Eu estou em ti.
Tira-me a luz dos olhos - continuarei a ver-te
Tapa-me os ouvidos - continuarei a ouvir-te
E, mesmo sem pés, posso caminhar para ti
E, mesmo sem boca, posso chamar por ti.
Arranca-me os braços e tocar-te-ei com o meu coração como se fora com as mãos...
Despedaça-me o coração - e o meu cérebro baterá
E, mesmo que faças do meu cérebro uma fogueira,
Continuarei a trazer-te no meu sangue..."
Rainer Maria Rilke, em fragmentos de uma correspondência à Lou Andreas-Salomé.
Nenhum comentário:
Postar um comentário